sábado, 31 de outubro de 2009

Un parágrafo so fast


Vamos beber la vida, la cachaça, el suor, um poquito más de cariño en nuestras vidas so sad, so tristes, ton cheíssimas de los compromissos. eu me siento a little lost in this life, so make me forget estas amarguras del caminho. vamos nos afogar en la ressaca del mar, you know what i’m talking about, please, não demora pra fazer o que eu peço. pegue minha bag, I beg, please, vamos logo, non pudemos perder el tiempo, everything’s fast, everything runs. vamos bebir el viño of last night, take the cigarrettes, vamos sentir o frio, pegue uma toalha, pegue você mesma and carry me to you. the moon remembers me our first met, quando a lua espelhou in the water meu estômago in an unspeakable anxious. I miss my eyes in your eyes, eu fico tão triste with an 1-second without you. eu descobri que o amor é uma confusão de pernas, de pêlos, of textures, you know, bobo é quem acha que não. mas vamos logo, time is love, e eu quero, now, o oco da sua boca.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A história de Franco

Franco acordava todos os dias exercendo a sua característica meticulosidade: desenhava com os dedos as listras do lençol. Contava quantas listras possuíam a cor rosa, quantas eram amarelas. Pensava se as amarelas deveriam ser laranjas ou vermelho ardor. Depois de tal ritual, se levantava. Fixava os dois pés no chão, simultaneamente – sem preferências para o direito ou o esquerdo, pois preferia deixar a sorte e o azar aos encargos do destino. Equilibrava-se. Alisava os cabelos, organizava os fios e os pensamentos.

Franco era meticuloso, como vocês veem, como os homens e mulheres são meticulosos, como o ser humano é, essencialmente, meticuloso, embora teime em dissimular uma característica tão inerente a sua condição de ser pensante.

Franco, depois de organizar os seus pensamentos, encaminhava-se à cozinha, lavava os pratos e sentia, novamente, os seus pensamentos a se embaralharem. Seus pensamentos começavam a pensar sozinhos e iam controversos e o assustava e o encaminhava, novamente, ao pé da cama, para começar tudo de novo. E Franco repetia, novamente, o mesmo ato mecânico de todos os dias: alisava os cabelos, organizava os fios e os pensamentos. Voltava para a cozinha novamente e se sentia, seguramente, bem melhor. Pensava se não estava com manias obsessivo-compulsivas, mas suprimia tais pensamentos a fim de que eles não se enredassem, pensando sozinhos, por lugares nunca dantes navegados.

Depois, Franco tomava seu banho tcheco. tcheco tcheco tcheco. E ia para o trabalho. Au to ma ti za do. Contava o tempo que chegaria à garagem do prédio, a quantidade de sinais vermelhos que teria de enfrentar, os quantos “bons dias” nus de significados teria de dizer para manter em vida um convívio social maquiado. Franco era empresário, contudo a profissão não lhe desse qualquer tipo de identidade. Digitava absorvido, estava seco por dentro, cansado – muito café e poucas horas de sono, contava os segundos para voltar desolado a um lar pouco acolhedor.

Franco, na rua, só via luzes e sombras de seres esqueléticos a esticar pequenas mãozinhas, como se tivessem a pedir algo. Não entendia muito bem aquele fenômeno. Nem procurava entender, pois estava a contar as quantidades: quantos sinais vermelhos teria de enfrentar, os quantos “boas noites” nus teria de dizer, quanto tempo gastaria para chegar, novamente, à garagem do prédio. Não entendia muito bem o que aquela cidade, chamada Mundo, tinha a lhe dizer.

Franco chegava em casa exausto. Levou, certo dia, um susto quando viu o seu peitoral afundado dentro do seu tórax de smokerman, mas acabou esquecendo do seu aspecto físico, afinal havia tantas coisas mais importantes para serem pensadas! Após estacionar o carro, entrava no elevador, chegava em casa, abria a porta e, pela primeira vez no dia, à noite, tomava um banho de verdade. Ritualmente e, para não esquecer, meticulosamente, abria o chuveiro e, pela primeira vez no dia, esquecia-se de si mesmo.

Franco entregava-se, inteiramente, ao fundo do ralo.

domingo, 9 de agosto de 2009

Olfato

Hoje, não suporto café, pão, queijo, doce, perfume, limão, leite... Só água, só água. Além da dieta, estou nos meus momentos pirados de olfato aguçado. Alguém já sentiu isso?

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Na lama

o homem vive preso na lama barrenta do mangue, o mangue de Chico Science, do rio Capibaribe, a lama do fundo do poço da nossa casa, presa às nossas pernas, aos nossos braços, prendendo-nos a um ambiente salobro e distante da assepsia das nuvens. o homem anda feito caranguejo atolado no mangue. o homem gosta do mangue. sentado em pneumatóferos, ele investiga a sua natureza com um afinco laboratorial, cada profundeza de si mesmo é devastada como um pescador devasta o interior de uma puta, puta de verdade, que dá até em trapiche. o homem se estupra. e se sente cansado. mas não goza, como o pescador gozaria com a puta do trapiche. o homem, na verdade, é atrofiado do coração. cortou as suas antenas de percepção e sente pouco amor e pouca dor. talvez mais sinta algo superficialmente, um pequeno apego, mas, nas profundezas, é atrofiado. eu digo: o homem é feito caranguejo no mangue. atrofiado. atolado na lama. imovível – inerte. o problema é a pele, a casca que o trancafia, que me trancafia, que me impede de sair de uma prisão, que nos impedem de sairmos da prisão, e o ambiente não ajuda o ambiente não coopera, já falamos sobre isso, o ambiente nos atola na lama, na massa, na merda. o homem do mundo vive atolado. se for paulista se atola no Tietê se for gaúcho no Guaíba se for francês se atola no Sena, se atola com mais luxo, mas se atola, sim, se for de Recife se atola no Capibaribe. ou no canal da Agamenon. o homem não sente, o homem não transa, nem faz amor, nem fode, nem nada, o homem não pinta, não dança, o homem pensa. pensa. pensa. ou até nem pensa. mas se pensa só pensa. e não sai do canto. é feito caranguejo atolado no mangue. é. o homem não sai do canto. não canta, nem tem alguém para cantar os seus milagres, como cantou Chico Science o milagre dos caranguejos.

terça-feira, 30 de junho de 2009



Como sempre coloquei aqui sugestões de livros e filmes, agora é a vez de "Tomates verdes fritos", verdadeiramente delicioso. Não vou contar nada, senão perde a graça, mas assistam! O filme é de uma delicadeza impressionante e, para poupar-me palavras, aplico as idéias de Fernando Pessoa: ele (o filme) não nasceu para ser nada, não é nada. Mas tem todos os sonhos do mundo.

Por Ella

“Say nighty-night and kiss me...”

Tão Ella Fitzgerald
ela é
tão Ella

Dorme em pouso
Tem passos partidos
pausados
Filme antigo desenhado,
cantado por Ella
encenado por ela
arranhões de vozes
no nosso amor contracenado

É discurso direto
cheio de indiretas
É ponto final no início
+ dois pontos
Reticências nas nossas falas

O nosso filme é simples
Nada de Kubrick
Bergman
Herzog...

É coisa de amador
feito em casa
e
como se diz:
amando

O caso do filme é o descaso
é este o enredo
Mesmo.
É a incogruência
o deixar-se levar
bem Ella
à la ela
à la luna...

Falei do enredo
da trilha sonora
das falas
dos tamanhos
formatos
e características do rolo.

de filme

Mas o chiadinho de Ella Fitz.
gravação arranhada
os passos pausados à la Lumière
os lapsos
as luas
que são a essência de tudo

Sim. Que são a essência do mundo.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Para quem quer plantar um jardim

Planta cresce. Tudo cresce ao sabor dos ventos, que trazem água, calor, tempo e sorte. Não adiantam muitos adubos, tampouco livros de botânica. É involuntário: as plantas crescem. Basta um lugar arejado, espaçoso, quintal de casa antiga, varanda de apartamento pacato, três andares, pouca ambição e cheiro de almoço na panela.

Sem muitos esforços, acredite. Se você, porventura, quer plantar um jardim, preste atenção: não coloque adubos caros, não projete estufas (elas não são naturais), não vigie as flores – elas se sentirão inibidas para mostrar o que possuem de mais belo. Se você quer somente uma plantinha, pequeninha, na varanda do seu lar, advirto: nada de vasos acrílicos e frios, vindos da TokStok. Peça ao floricultor um jarrinho também pequeninho, de barro, onde você possa, inclusive, pintar.

São assim as pessoas, são assim os relacionamentos. Eles não crescem em ambientes limitados de vento e vida, não se reduzem a teorias livrescas sobre o amor, adoram todos os processos e correm das soluções. São assim as pessoas. Como o jarrinho de barro que aporta a plantinha, a nossa existência frágil deveria caber dentro de um par de meias, daquelas coloridinhas de lã, feitas para aquecer mesmo. A gente precisa de um lugar arejado, bem aberto, para extravasar a alma, dar uns gritos de vez em quando – apartamento pacato, três andares, sem porteiro.

As plantas e os seres humanos precisam de pouca ambição e arroz e feijão na panela. Isso sim. Porque com tantos enfeites e maquiagem, com redomas de vidro, as flores não crescem, porque os ventos não circulam, o tempo não flui e as águas se poluem. Porque com tanto salto, as pessoas não se livram do inferno de si mesmas.

Para quem quer plantar um jardim, aconselho:

Violetas
Begônias
Gardênias
Margaridas
e Gérberas

Traz ar puro, viu? Ainda bem já tenho o meu. Tenho 3ª do plural, tenho nós, tenho girassóis.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Princípio da Incerteza

Da incerteza, a gente sabe. Eu sei. Virginiana. Eu sei. Na verdade, não sei se sei, ou se devo saber, ou se se sabe algo sobre incerteza. Mas aquela dúvida, aquela certeza que ainda não se concretizou, sim, eu sei. Quando vou na padaria e vejo aquele sonho ma-ra-vi-lho-so, penso: Eu quero! Mas logo vem a dúvida, todos os contras aparecem como uma enxurrada de interrogações e todas as vontades são cortadas como facões na cana-de-açúcar. Volto de cabeça baixa pra casa... E penso: melhor prevenir que remediar. Tem a balança, tem a estética, têm as celulites, tem a espinha, a diabetes... Tem tanta coisa que é melhor partir pra maçã. Afinal, a maçã é rica em vitaminas, limpa os dentes, tira o mau hálito, melhora a pele... Posso falar que, de incerteza, sou grã-mestre! Basta ir ao shopping. Basta escolher a jeans. Basta ir à sorveteria. Basta ter de tomar uma decisãozinha que a cabeça vira ao avesso... E sento, cruzo as pernas, descruzo as pernas, analiso os fatos, peso os prós, as conseqüências, os prazeres e dores e... Não decido nada. Por isso, digo: não posso ser juíza, médica, empresária, delegada... Não posso mexer com números, porque também exige noções exatas e... Talvez por isso eu tenha uma certezazinha, mísera certeza que, admito, penso em mudar muitas vezes, que é a de ser jornalista. Porque jornalista pode mudar de opiniões de acordo com o jornal onde trabalha, de acordo com o fato do dia, afinal... São tantas novidades de um dia para outro! Jornalista é cabra safado e, por isso, pode ser socialista-marxista influenciado pelas teorias sexuais e sodomitas de Lênin e, ao mesmo tempo, um gordo capitalista bigodudo influenciado pelas teorias conspiratórias de Ronald McDonald. Basta trabalhar na Carta Capital, ou na Revista Veja. Fantárdigo. Mas penso em fazer Direito. Ainda. Pra quê ter a certeza, não? Pelo menos da incerteza, a gente sabe.

Quanto aos princípios, não sei se a gente sabe, mas pelo menos tenta saber. Sei que, de acordo com os meus princípios, comer maçã é mais saudável que comer o sonho da padaria. Mas é menos gostoso. Então... Devo comer a maçã ou o sonho? O que é mais importante, o gostoso ou o saudável? E nós devemos amar por nós mesmos ou amar só se formos amados? E devemos fazer sexo quantas vezes ao dia? Devemos fazer sexo? Ou devemos procriar? Como falar de princípio da certeza se as certezas são tão inconstantes? Como falar do princípio da certeza se os princípios são tão inconstantes? A verdade, a verdade mesmo, é que eu (só posso falar de mim quando falo de princípios) procuro os princípios (mesmo inconstantes) para colocar ordem nesse regimento sinuoso e incoerente imposto ao virginiano, ou a Bárbara, não sei. Mas são eles, os princípios, que me guiam para um aperfeiçoamento, uma busca interna de mim mesma. Talvez sejam esses princípios que regem as minhas incertezas. Jorgito, talvez exista mesmo o Princípio da Incerteza!